Você já parou para pensar se o caminho que você faz todos os dias pode ser um obstáculo para alguém? Foi exatamente essa reflexão que guiou as crianças de 7 a 11 anos do Grupo Amizade I, do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Jardim Perla, em uma atividade do eixo "Direito de Ser", focada na Luta da Pessoa com Deficiência. Os pequenos saíram ao redor da instituição, com uma missão especial: entender como a falta de acessibilidade afeta a vida de quem tem alguma deficiência ou mobilidade reduzida.
Antes de irem a campo para a vistoria prática, o grupo participou de uma roda de conversa introdutória para desmistificar o conceito de pessoa com deficiência. Com uma linguagem acolhedora e adequada à faixa etária, a equipe técnica do CRAS abordou a pluralidade das deficiências e reforçou uma premissa fundamental: o acesso autônomo aos espaços e a participação nas atividades diárias não são privilégios, mas direitos inegociáveis de todo cidadão.
A proposta foi muito além de uma simples conversa, e as crianças se tornaram verdadeiras "Detetives da Acessibilidade". De forma lúdica, elas foram convidadas a olhar o mundo com outros olhos, tentando responder a perguntas simples, mas que refletem sobre acessibilidade: "Uma pessoa em cadeira de rodas conseguiria passar por aqui?" ou "Uma pessoa com deficiência visual conseguiria se orientar neste espaço?".
Munidas de plaquinhas de papelão imitando o gesto de "bom" (polegar para cima) e "ruim" (polegar para baixo), elas avaliaram desde o ônibus usado no transporte público até as calçadas da vizinhança e os banheiros do CRAS. O resultado mostrou que o olhar infantil é atento: as crianças rapidamente identificaram calçadas esburacadas, rampas muito inclinadas, portas estreitas, falta de piso tátil e pequenos degraus que, apesar de passarem despercebidos para muitos, podem impedir o direito de ir e vir de diversas pessoas.
O objetivo da ação não era fazer uma avaliação técnica da arquitetura local, mas sim estimular o exercício da empatia e da cidadania. Ao final da investigação, os detetives mirins preencheram formulários com o que analisaram e propuseram ideias para melhorar a acessibilidade nos espaços, assumindo o protagonismo da ação. O documento produzido pelo grupo foi entregue à coordenação da Proteção Social Básica (PSB) e à Coordenadoria de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência (Caapd) de Betim.
Para a secretária municipal de Assistência Social de Betim, Christiane Passos, dinâmicas como essa refletem o compromisso da gestão com a cidadania plena. "Quando estimulamos nossas crianças a observarem o mundo sob a perspectiva do outro, estamos formando uma geração inclusiva. O Serviço de Convivência tem esse poder transformador. Ao ensinarmos hoje que a acessibilidade é um direito e uma responsabilidade coletiva, garantimos amanhã uma Betim muito mais justa, acolhedora e preparada para abraçar a todos", ressalta a chefe da pasta.