Dar voz às comunidades tradicionais de matriz africana e transformar suas demandas em políticas públicas concretas. Esse é o propósito da 1ª Escuta dos Povos de Santo, que será realizada na próxima quarta-feira (23), às 19h, na Casa da Cultura Josefina Bento. Inédita no município, a iniciativa marca um importante avanço no fortalecimento da promoção da igualdade racial, da liberdade religiosa e da valorização do patrimônio cultural afro-brasileiro.
Promovido pela Superintendência de Igualdade Racial, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e a Associação de Casas de Matriz Africana de Betim (ASCAFEB), o encontro reunirá representantes dos povos de terreiro, lideranças religiosas e a comunidade para um amplo processo de escuta e construção coletiva. O evento é aberto ao público.
Durante o encontro, serão debatidos temas fundamentais, como o enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa, a valorização da diversidade cultural, a preservação das tradições de matriz africana e o reconhecimento da contribuição histórica, social e cultural dos povos de santo para o desenvolvimento de Betim. A proposta também é identificar as principais demandas dessas comunidades para subsidiar a elaboração de políticas públicas mais efetivas, inclusivas e comprometidas com a garantia de direitos.
A iniciativa está alinhada aos princípios da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que assegura aos povos e comunidades tradicionais o direito à consulta, à participação e ao diálogo nos processos de construção de políticas que impactam suas realidades.
Para a superintendente de Igualdade Racial, Iracema Assis, a escuta representa um marco na relação entre o poder público e os povos de terreiro."A construção de políticas públicas só é legítima quando nasce do diálogo com quem vive essa realidade. A Escuta dos Povos de Santo é um espaço de respeito, participação e reconhecimento, onde vamos ouvir essas comunidades para construir, de forma coletiva, políticas mais justas, inclusivas e capazes de enfrentar o racismo, combater a intolerância religiosa e garantir direitos", destaca.









