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23 JUN 2026
SAÚDE
Betim avança no combate às arboviroses com estratégia inovadora e mobilização comunitária
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Município inicia engajamento para implantação do Método Wolbachia, que utiliza mosquitos aliados para reduzir a transmissão de dengue, Zika e chikungunya
Betim dá mais um passo relevante no enfrentamento às arboviroses ao iniciar a fase de mobilização e engajamento comunitário para a implantação do Método Wolbachia. A estratégia inovadora utiliza mosquitos aliados, conhecidos como Wolbitos, para diminuir a transmissão de dengue, Zika e chikungunya. A iniciativa é conduzida pelo World Mosquito Program (WMP) Brasil e pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com a Prefeitura de Betim e o Governo de Minas Gerais.
 
A implantação ocorrerá de forma gradual e estruturada, em etapas. A definição das áreas prioritárias levou em conta dados do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), concentrando esforços nas regiões com maior incidência do mosquito. Desde abril, equipes atuam diretamente nos territórios, promovendo diálogo com moradores e distribuindo materiais educativos em bairros como Alvorada, Amarante, Amazonas, Campos Elíseos, Capelinha, Cruzeiro, Distrito Industrial Jardim Piemonte (Norte e Sul), Distrito Industrial Paulo Camilo (Norte e Sul), Estância do Sereno PTB, Granja Verde, Guanabara, Imbiruçu, Jardim Nazareno, Jardim Terezópolis, Laranjeiras, Nova Baden, Parque das Acácias, Paulo Camilo, Petrovale, Presidente Kennedy, Renascer, Riacho III, São Caetano, São Cristóvão, São Luiz, Santa Cruz, Santo Antônio, Vila Boa Esperança, Vila Cristina/C.H. Celso A. Pedra, Vila Universal e Vila Verde.
 
A previsão é que a liberação dos Wolbitos nessas áreas tenha início no segundo semestre de 2026. Esses mosquitos são exemplares do Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, um microrganismo natural capaz de impedir que os vírus dessas doenças se desenvolvam dentro do inseto, reduzindo significativamente sua capacidade de transmissão.
 
Produzidos em biofábrica localizada em Belo Horizonte, os Wolbitos são liberados de forma controlada no ambiente. Ao se reproduzirem com os mosquitos locais, transmitem a Wolbachia às gerações seguintes, promovendo, ao longo do tempo, a substituição da população por indivíduos com menor potencial de transmissão de vírus.
 
O Método Wolbachia é seguro e não envolve modificação genética. A bactéria está presente naturalmente em mais da metade dos insetos e não representa risco para seres humanos, animais ou meio ambiente.
 
Presente em 15 países, o World Mosquito Program atua globalmente no controle de doenças transmitidas por mosquitos com base em soluções sustentáveis e cientificamente comprovadas. No Brasil desde 2012, a iniciativa já apresenta resultados consistentes na redução das arboviroses.
 
Um dos casos mais emblemáticos é o de Niterói, primeiro município brasileiro a alcançar cobertura integral do método. Em 2024, a cidade registrou uma redução de 89% nos casos de dengue em comparação à média anterior à implantação, demonstrando a efetividade da estratégia.
 
O resultado ganha ainda mais relevância diante do cenário nacional, marcado pela maior epidemia de dengue já registrada no país, com 6,6 milhões de casos e cerca de 6.200 mortes no mesmo período. Enquanto o Brasil apresentou uma taxa de 3.157 casos por 100 mil habitantes, Niterói manteve índice significativamente menor, com 374 casos por 100 mil habitantes.

A implantação do Método Wolbachia integra o processo de reparação aos municípios impactados pelo rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019. O acordo, firmado em 2021 entre o Governo de Minas, instituições de Justiça e a Vale, prevê ações voltadas à recuperação social, econômica e ambiental dos territórios atingidos.
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