Betim inicia as liberações dos chamados “Wolbitos”, que são os mosquitos Aedes aegypti que possuem a bactéria Wolbachia. A ação é realizada pelo World Mosquito Program (WMP) Brasil, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Prefeitura de Betim e o Governo de Minas, representado pela Secretaria de Estado de Saúde, e foi estruturada no município desde janeiro com o objetivo de reforçar o enfrentamento às arboviroses para reduzir o número de casos e óbitos por dengue, chikungunya e zika. A estratégia também pode contribuir como medida preventiva diante de cenários de calor extremo, como os associados ao El Niño e às mudanças climáticas, já que o mosquito se prolifera em ambientes com água parada e temperaturas elevadas.
Segundo o WMP Brasil, os Wolbitos são produzidos em biofábrica localizada em Belo Horizonte e liberados de forma controlada. Ao cruzarem com a população local de Aedes aegypti, transmitem a Wolbachia às gerações seguintes, reduzindo a capacidade do mosquito de transmitir dengue, zika e chikungunya. Estudos científicos apontam que o método é seguro, não envolve modificação genética e não representa risco para humanos, animais ou meio ambiente.
A Fase 1 abrangerá locais escolhidos por critérios técnicos, como número de casos e índices de infestação e contemplará os bairros Jardim Teresópolis, Santo Antônio, Vila Boa Esperança, Amazonas e Renascer.
As liberações serão distribuídas por todas as ruas e avenidas com acesso para veículos dentro do raio técnico definido. O trabalho terá duração estimada de 16 a 20 semanas por área, com a primeira ação no dia 31 de agosto e, nas semanas seguintes, com operações às quartas-feiras a partir das 5h30.
A iniciativa é conduzida pelo WMP Brasil e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, sendo financiada com recursos provenientes do Acordo Judicial de Brumadinho, firmado entre o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública de Minas Gerais e a Vale. O rompimento, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, tirou a vida de 272 pessoas e o acordo prevê ações voltadas à recuperação social, econômica e ambiental dos territórios atingidos.
A Secretaria de Saúde de Betim reforça que o Método Wolbachia é complementar e não substitui medidas rotineiras, como manter quintais limpos, eliminar criadouros, permitir a entrada dos Agentes de Combate às Endemias e, para a faixa etária indicada (10 a 14 anos), manter a vacinação em dia — ações essenciais para reduzir o risco de arboviroses na cidade.