Em meio à dor da perda, um gesto de solidariedade abre caminho para salvar vidas. A família de um adolescente de 16 anos, que morreu após um acidente de moto, autorizou a doação de órgãos no Hospital Público Regional de Betim (HPRB). A captação foi realizada na manhã desta sexta-feira (6), após a confirmação da morte encefálica, na manhã de quinta-feira (5). Foram captados cinco órgãos: coração, fígado, pâncreas e os dois rins. A doação poderá beneficiar até cinco pessoas que aguardam por um transplante.
O adolescente deu entrada na unidade hospitalar em 3 de novembro, com traumatismo craniano decorrente do acidente. Durante a internação, foi iniciado o protocolo para investigação e confirmação da morte encefálica, seguindo os critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina. Após a conclusão dos exames e a confirmação do diagnóstico, a equipe hospitalar acolheu e orientou os familiares sobre as etapas e os critérios do processo de doação. A retirada dos órgãos ocorreu somente após a confirmação da morte encefálica e a autorização formal da família.
O trabalho de captação de órgãos no HPRB tem apresentado resultados importantes. Em 2025, foram registradas 42 captações de órgãos e tecidos, sendo oito rins, um coração, um fígado e 32 córneas. Já em 2026, os números somam 74 captações: 22 rins, 2 corações, oito fígados, quatro pâncreas e 38 córneas. Os dados demonstram a importância do trabalho desenvolvido pela unidade para ampliar as possibilidades de transplantes e beneficiar pessoas que aguardam na fila por um órgão.
O processo foi acompanhado pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do HPRB, formada por médicos e enfermeiros capacitados para identificar potenciais doadores, acolher familiares e organizar todas as etapas da captação. A comissão atua de forma integrada com as equipes assistenciais, especialmente as unidades de terapia intensiva, as equipes cirúrgicas e o MG Transplantes, responsável pela identificação dos receptores e pela logística de distribuição dos órgãos.
A destinação considera critérios técnicos, como compatibilidade sanguínea, características físicas, gravidade do quadro clínico e tempo de espera na fila de transplantes. O destino específico de cada órgão é definido pelo MG Transplantes, responsável por coordenar o encaminhamento aos receptores compatíveis.
A doação de órgãos depende da autorização familiar, mesmo quando a pessoa manifesta em vida o desejo de ser doadora. Por isso, conversar sobre o assunto com os familiares é fundamental. Em um momento de profunda tristeza, conhecer e respeitar a vontade de quem partiu pode tornar possível um gesto capaz de transformar a realidade de outras famílias. Neste caso, a solidariedade da família do adolescente representa a esperança de uma nova chance para até cinco pessoas.